Concurso da Câmara de Goiânia: Entenda por que secretaria vinculada ao TCM recomenda suspensão de parte da seleção
- 23/04/2026

Secretaria do TCM recomenda suspensão parcial do Concurso da Câmara de Goiânia O concurso público da Câmara Municipal de Goiânia, realizado em março pelo Instituto Verbena, da Universidade Federal de Goiás (UFG), deve ser parcialmente suspenso imediatamente. Essa é a recomendação feita pela Secretaria de Controle Externo de Atos de Pessoal do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), em função da aprovação de um servidor público que trabalha para a banca organizadora. A suspensão se refere apenas ao cargo de administrador, ao qual o servidor público concorreu. Para o secretário Vinicius Nascimento Santos, autor da recomendação, o caso aponta "indícios relevantes de violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa". ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp "Ainda que não haja comprovação direta de acesso ao conteúdo das provas, a jurisprudência é firme no sentido de que a mera quebra da isonomia entre candidatos já é suficiente para macular a validade do concurso público, sendo desnecessária a demonstração de fraude efetiva", disse o secretário. O parecer favorável à suspensão ainda será avaliado pelo conselheiro Humberto Aidar, relator do caso no TCM, a quem caberá a decisão sobre a suspensão ou não do concurso público. Em nota, o Instituto Verbena afirmou que atuou de forma diligente e rigorosa para assegurar a completa rastreabilidade, transparência e conferência de todas as etapas do concurso público, além de ter adotado "política rigorosa de prevenção a conflitos de interesse, com bloqueio imediato de acessos e afastamento de colaboradores, assegurando a integridade do processo" (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). Também por meio de nota, a Câmara Municipal de Goiânia afirmou que o Poder Legislativo cumpre todas as medidas e decisões do Poder Judiciário e dos Órgãos de Controle, e vai apresentar os esclarecimentos solicitados pelo conselheiro relator Humberto Aidar dentro do prazo. A Câmara disse, ainda, que o conselheiro relator não recomendou a suspensão do concurso, mas solicitou esclarecimentos e documentos para deliberar sobre o pedido (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). Resultado do concurso da Câmara de Goiânia mostra Luã Lírio de Souza Cruz aprovado em 1º lugar para o cargo de administrador, com salário de R$ 10.059,32 Reprodução/TV Anhanguera LEIA TAMBÉM Funcionário da banca que organizou concurso da Câmara de Goiânia é aprovado em 1º lugar na seleção, e MP investiga VÍDEO: Secretaria do TCM recomenda suspensão parcial do Concurso da Câmara de Goiânia Funcionário de banca que organizou concurso da Câmara de Goiânia e foi aprovado em 1º lugar não participou da elaboração da prova, diz instituto Entenda as suspeitas Realizado no dia 15 de março, o concurso da Câmara Municipal contou com a participação de mais de 30 mil candidatos inscritos para a disputa de 622 vagas. O cargo de administrador, com salário de mais de R$ 10 mil, teve como primeiro colocado Luã Lírio de Souza, servidor público da UFG vinculado ao Instituto Verbena, que organizou o concurso. Além de trabalhar na banca organizadora, Luã é casado com o guarda civil metropolitano Makes Paulo, que também já prestou serviços remunerados no Instituto Verbena. Segundo a denúncia formulada ao TCM, ele possui "ligação política documentada com o presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo", o responsável por assinar o contrato de realização do concurso com o Instituto Verbena. O g1 solicitou posicionamento ao presidente da Câmara sobre essa afirmação e ao candidato Luã sobre a recomendação da secretaria do TCM, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. No início de abril, o Instituto Verbena disse que o próprio candidato comunicou, ainda em dezembro do ano passado, um possível conflito de interesses e solicitou o afastamento de todas as atividades relacionadas ao concurso. A instituição afirma que, a partir disso, bloqueou todos os acessos dele aos sistemas e arquivos do certame. De acordo com elementos da denúncia, reproduzidos em relatório do TCM, embora estivesse cedido à Defensoria Pública da União (DPU) desde janeiro de 2025, Luã participou de um evento do instituto em Campina Grande, na Paraíba, cinco dias antes da prova. Registro mostra Luã Lírio de Souza Cruz em evento representando o Instituto Verbena cinco dias antes da aplicação do concurso da Câmara de Goiânia Reprodução/TV Anhanguera Além disso, em novembro de 2025, quando o edital do concurso ainda estava sendo preparado, ele representou o instituto em outro evento, em Vitória, no Espírito Santo, ao lado da diretora executiva da banca. "Consta ainda que ele participou de reuniões relacionadas à segurança e armazenamento das provas cerca de 31 dias antes de sua realização", afirmou Vinicius. Os outros dois casos citados no parecer do secretário se referem a duas candidatas, que também tiveram vínculo profissional com o Instituto Verbena. Elas disputaram os cargos de analista de comunicação e revisor de texto, tendo sido aprovadas em 150º lugar e 6º lugar, respectivamente. Vinicius, no entanto, ressaltou que, apesar dos dois casos também exigirem apuração, eles não são tão relevantes como o de Luã. "Embora tais situações devam ser objeto de apuração quanto à regularidade e à observância das normas editalícias, não se vislumbra, em princípio, influência direta e relevante no resultado final do certame, diferentemente do que se verifica em relação ao candidato classificado em 1º lugar", afirmou. Ao recomendar a imediata suspensão parcial do concurso, o secretário solicitou que, antes disso, prestem esclarecimentos os seguintes envolvidos: Romário Policarpo - presidente da Câmara Municipal de Goiânia; Cassandra Arruda de Sousa Araújo - presidente da Comissão; Claci Fátima Werick Rosso - diretora executiva do Instituto Verbena. Além dos depoimentos dos envolvidos, também deverão ser fornecidos à secretaria do TCM documentos relacionados aos vínculos trabalhistas dos candidatos. Leia a íntegra da nota do Instituto Verbena: "Sobre o concurso da Câmara Municipal de Goiânia, o Instituto Verbena/UFG informa que atuou de forma diligente e rigorosa para assegurar a completa rastreabilidade, transparência e conferência de todas as etapas do concurso público. Para tanto, foram adotadas diversas medidas de segurança e controle, tanto no âmbito tecnológico quanto operacional. Dentre as providências implementadas, destacam-se: • A segregação de ambientes de rede com controle restrito de acessos; • Registro de logs que permitem a identificação de todas as operações realizadas nos sistemas; • Utilização de protocolos específicos para elaboração, revisão, formatação e impressão das provas em ambiente seguro e monitorado; e • Adoção de mecanismos de controle físico, como impressão em sala-cofre, monitoramento por câmeras, controle de entrada por identificação individual e manutenção da cadeia de custódia dos materiais até a aplicação. Adicionalmente, o Instituto Verbena/UFG adotou política rigorosa de prevenção a conflitos de interesse, com bloqueio imediato de acessos e afastamento de colaboradores, assegurando a integridade do processo. Por fim, ressalta-se que todas as etapas foram devidamente documentadas e auditáveis, com registros técnicos e atas, os quais, inclusive, já foram integralmente disponibilizados à Comissão do Concurso e ao Ministério Público do Estado de Goiás, bem como serão disponibilizados ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM/GO), evidenciando que o certame foi conduzido dentro dos mais elevados padrões de segurança, lisura e conformidade". Leia a íntegra da nota da Câmara Municipal de Goiânia: "A Câmara Municipal de Goiânia foi notificada no final da tarde desta quarta-feira, dia 22 de abril de 2026, do pedido de medida cautelar, apresentada junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO), referente ao concurso para vaga em cadastro de reserva para o cargo de administrador. O Poder Legislativo é cumpridor de todas as medidas e decisões do Poder Judiciário e dos Órgãos de Controle, e vai apresentar os esclarecimentos solicitados pelo conselheiro relator Humberto Aidar no prazo estabelecido. Com o objetivo de esclarecer a população, a Câmara Municipal de Goiânia observa que, na Decisão Monocrática que trata do pedido de cautelar, o conselheiro relator NÃO recomenda a suspensão do concurso para a vaga em cadastro de reserva para o cargo de administrador, mas solicita esclarecimentos e documentos para deliberar sobre o pedido de cautelar. A Câmara Municipal de Goiânia é a principal interessada no completo esclarecimento das alegações apresentadas no pedido de cautelar junto ao TCM-GO e também da denúncia anônima entregue ao Poder Legislativo, ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e ao Instituto Verbena – todas com o mesmo teor. A Câmara de Goiânia é denunciante da suposta irregularidade, tendo levado imediatamente a queixa ao conhecimento da Promotoria e da banca realizadora do certame tão logo a recebeu, em 30 de março". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.
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